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UM FILHO MUITO ESPECIAL. E AGORA?
Faz apenas um mês que ele começou a se formar na barriga da mamãe e seus pais já começam a planejar seu futuro. Definem o nome, organizam o quarto e preparam a família para a chegada do herdeiro. Alguns chegam até a arriscar palpites sobre as características físicas e emocionais da criança. Se a natureza colaborar, terá a cor dos olhos do pai e a personalidade da mãe. Tem gente que decide, inclusive, profissão e o time de futebol do coração do filho.
Dez entre dez casais agem dessa forma quando o sonho de ter uma criança está a caminho de se tornar realidade. Mas, para alguns, todas as expectativas caem por terra com o diagnóstico médico de que o bebê não será exatamente como o esperado. Num mundo que cultua a perfeição, não é difícil de imaginar o drama vivido por esses pais.
O FIM DO SONHO
Todo casal idealiza o filho e, quando a realidade não corresponde à expectativa, o choque acontece. A primeira reação costuma ser de rejeição pelo bebê que nasceu e de sofrimento pela perda do filho idealizado.
O CAMINHO DA ACEITAÇÃO
Lidar com esses sentimentos até então desconhecidos não é tarefa fácil para ninguém, principalmente quando o casal se isola do mundo e prefere enfrentar o desafio sozinho. Buscar apoio psicológico, expor seus medos, a raiva e a vergonha ajudam muito a elaborar uma espécie de luto pela perda da criança perfeita que era esperada. Também é um dos caminhos que facilitam que os pais encontrem uma maneira de amar aquele filho que veio para ficar.
Muitas vezes, porém, essa formação de vínculo com o filho portador de deficiência é difícil, complicada e dolorosa, até porque uma enxurrada de emoções e sentimentos inunda o emocional dos pais. Muitos sentem-se deprimidos, inferiores, impotentes e até responsáveis pela imperfeição da criança. O sentimento de culpa costuma atingir principalmente a mãe. "Será que meu filho é assim porque fumei durante a gravidez? Será que sua deficiência tem a ver com aquela cerveja que tomei na gestação? Será que está ligado a minha diabete?", costumam pensar.
Os pais que expressam sentimentos e emoções, falando de suas dores, medos e inseguranças, são os que aceitam melhor e mais rápido a deficiência do filho. Mais uma vez existe a importância de buscar ajuda especializada, não só para desabafar e aliviar a ansiedade, mas também para aprender sobre o assunto. Há muita desinformação sobre o tema e a falta de conhecimento leva a maioria a viver cheio de medos.
NOVOS APRENDIZADOS
Vencida a etapa da aceitação, meio caminho andado. Nem sempre, porém, os obstáculos terminam aí. Novos medos começam a tirar o sono dos pais, principalmente em relação ao futuro da criança. Apesar de ter um mês de vida, o casal já se preocupa com os problemas que ele enfrentará quando tiver 30 anos. Geralmente, as preocupações estão relacionadas ao seu futuro educacional e profissional. O futuro da criança com deficiência vai depender do que for feito hoje por ela. Quanto mais precoce for a estimulação dessa criança e sua inclusão social, melhores os resultados em qualidade de vida.
No dia-a-dia, os contratempos e dificuldades vão se avolumando. Dependendo da complexidade da doença, grande parte das mães precisa abdicar dos estudos ou carreira profissional para dar atenção integral ao filho.
Além do trabalho prático, os pais de filhos especiais precisam ter a medida certa de educação para não cair na super proteção e, com isso, acabar criando maior dependência ainda.
É comum, por exemplo, anteciparem os desejos da criança, o que impede que elas façam sozinhas coisas de que são capazes.
Frente a tantos cuidados e afazeres, não é à toa que os pais de filhos especiais também sejam especiais.
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