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Diário do Grande ABC
Ângela Corrêa
09/09/2006
Se bem estimulada e apoiada, a criança com síndrome de Down pode vir a se tornar um adulto com uma profissão para o resto da vida, dependendo de seu desenvolvimento. Áreas de atendimento ao cliente, hotelaria, entregas, produção, artesanato e alimentação se utilizam cada vez mais dos serviços das pessoas com a síndrome.
Eliana Victor, gerente da Divisão de Reabilitação Profissional da Avape (Associação para Valorização e Promoção de Excepcionais), diz que a formação de um trabalhador começa ainda na infância. “A família tem de ter a visão de que é importante formar a pessoa. Deve-se tratá-la o mais próximo da normalidade para que ele desenvolva uma boa auto-estima e consiga ser independente. É preciso acreditar em cada vitória, sempre estimulando e dando espaço para que dê seus tombos sozinhos”.
O preparo intelectual do indivíduo com síndrome de Down por vezes esbarra na formação deficitária que o modelo de ensino convencional oferece. “Nossa educação não se preocupa com especais. A matemática, por exemplo, não é relacionada com a realidade. A pessoa com a síndrome pode não aprender a fazer equações, mas vai conseguir fazer seu próprio orçamento se tiver bom treinamento”, diz Eliana.
Em casa, a pessoa deve ser encorajada a ter reações harmoniosas com o meio em que vive. “É importante que ela saiba se as roupas estão coerentes com o clima e com a ocasião. Ou a quantidade de pão que ela pode comer naquele dia, por exemplo. Se for agressivo ou passivo demais, também deve ser questionado”, completa a gerente.
Além dos serviços, os indivíduos com síndrome de Down têm, em geral, grande afinidade com as artes. “Muitos gostam da dança, de teatro, de música. O corpo mais molinho lhes dá um pouco mais de flexibilidade para dançar livremente. Mas nada disso deve ser generalizado. Cada um na sua”, completa Eliana.
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