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Uma longa história de amor


     Foi no dia 10 de setembro de 1963 que um grupo de pais e pessoas da comunidade, preocupados com a situação dos portadores de deficiências na cidade, fundou a APAE de Santo André e elegeu sua primeira diretoria, que teve por presidente o médico Henrique Calderazzo.

     Em pouco tempo, as primeiras classes voltadas exclusivamente à educação de crianças especiais começaram a funcionar em Santo André. O objetivo dos fundadores da Apae, de proporcionar atendimento às crianças especiais carentes, fora alcançado. No ano seguinte, a procura por vagas aumentou, exigindo instalações mais amplas. O fato, que voltaria a ocorrer várias outras vezes, levou a entidade a fazer sua primeira mudança para a Rua General Glicério, a poucos metros dali.

     Ao longo dos oito primeiros anos, o atendimento não parou de crescer. Para comportar o número de alunos, as salas acabaram se espalhando por outros locais. Quando as oficinas pedagógicas foram implementadas, a Indústria Polone cedeu parte de suas instalações na rua dos Coqueiros para abrigá-las. Em 1969, as oficinas passaram a funcionar num prédio alugado no bairro Santa Teresinha. Na mesma época, convênio com a Faisa (Fundação de Assistência à Infância de Santo André), que tinha acabado de inaugurar sua sede, permitiu que ali fossem abertas mais quatro classes para portadores de deficiências. Em 1966, a Prefeitura de Santo André cedeu à APAE as dependências do Parque Infantil, em Utinga, onde foram instaladas outras seis turmas, voltadas para crianças de 5 a 12 anos.

Dificuldades

     Nessa época, os recursos eram poucos e as dificuldades multiplicavam-se. Não havia subvenções estatais, e a entidade sobrevivia de doações. Mas a diretoria da APAE não desistiu e foi em frente, procurando sempre atender o maior número de alunos especiais possível.

     Em 1968, a APAE conseguiu autorização da Secretaria de Estado da Educação para abrir mais cinco classes de escolaridade no Grupo Escolar de Vila Palmares. Dois anos depois, a entidade precisou alugar um segundo prédio no bairro Santa Teresinha, em frente ao das oficinas pedagógicas, na alameda São Bernardo, para onde transferiu esses alunos. A mudança ainda permitiu dobrar o número de classes, passaram de cinco para dez.

Nova fase

     Quando a Prefeitura de Santo André cedeu à APAE um prédio na esquina da rua Silceiras com Joana Hannes, em 1972, essa fase de incertezas chegou ao fim.Com a chegada da sede própria, para onde foram transferidas também as classes antes instaladas em Santa Teresinha, foi possível ampliar ainda mais o atendimento aos alunos.

     Em 1975, foi criado o CDOT (Centro de Diagnóstico, Orientação e Tratamento), anexo à APAE, com o objetivo de atender a crianças e jovens que não freqüentam a entidade. No mesmo ano. surgiram as Oficinas Abrigadas, onde os alunos passaram a atuar em regime profissionalizante, com contrato de prestação de serviços a terceiros. Em pouco tempo, elas precisariam de mais espaço, e a diretoria decidiu fazer uma troca de local com as classes do Parque Infantil, que passaram a funcionar na sede principal.

     Mas, em 1980, a construção do complexo rodoviário sobre a estação de Utinga, junto à qual as oficinas estavam instaladas, somada às constantes enchentes, tornou o local sem condições físicas de trabalho. Nova mudança, desta vez para uma casa na avenida Dom Pedro II, bairro Campestre, onde funcionaram por dois anos. Foi apenas em 1982 que todos os serviços prestados pela APAE finalmente se concentraram num único local, graças à construção de um pavilhão para as Oficinas Abrigadas, nas dependências da sede própria.

Outras tarefas

     Com o passar do tempo, com o poder público assumindo em parte a tarefa de educar as crianças deficientes, somada à criação de salas especiais e, posteriormente, com a implementação de uma política de educação inclusiva, foi possível à APAE ampliar seu atendimento para além dos jovens em fase escolar.

     Ainda no início dos anos 80, a entidade começou a atuar junto aos bebês portadores de deficiência desde o nascimento, buscando estimulá-los precocemente.

     O objetivo é garantir que eles cheguem mais preparados à escola - dentro ou fora da APAE - e, assim, conquistarem melhor qualidade de vida no futuro.

     Em 1998, a sede foi adaptada, o que permitiu contratar terapeutas para trabalhar com reabilitação de pessoas portadoras de deficiência severas, como paralisia cerebral. Graças a esta expansão, hoje a APAE atende 410 pessoas com deficiência - a maioria carentes - em sua sede.

     A APAE também participa dos conselhos municipais: CMDCA, CMAS e COMDEF.

 

 

 


 
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