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A caminho do trabalho


 

          As crianças da APAE também crescem. Por isso, com o passar dos anos, a entidade sentiu a necessidade de ter atividades para os jovens que completavam os estudos e que, de outra forma, ficariam sem atendimento. Já em 1975 surgiram as primeiras Oficinas Abrigadas em regime profissionalizante, com contrato de prestação de serviços com terceiros. Sete anos depois, elas foram instaladas num pavilhão especialmente construído na sede da entidade.

          Hoje, o setor de Oficinas atende 152 jovens, a partir de 14 anos, e adultos, de até 45 anos, com variados graus de comprometimento. Enquanto alguns só tem condições de praticar atividades simples, outros precisam apenas ser bem orientados para poder entrar no mercado de trabalho. O sistema das oficinas é todo voltado para o trabalho de acordo com a capacidade dos alunos.

 

Conte com eles

          Nas oficinas, os atendidos realizam atividades como silk-screen, cartonagem, artesanato em madeira, reciclagem de papel e trabalhos artísticos. Ainda nesse setor funciona a Oficina Abrigada, que mantém contrato com a empresa Acrilex, pelo qual os alunos embalam giz de cera, colocando dentro das caixas e plastificando-as. Muitas das embalagens que você compra nas lojas são feitas nesta oficina. Os atendidos também têm atividades fora das oficinas, como passeios, horta e cozinha pedagógica.

          Os alunos de menor comprometimento podem participar de um programa chamado Conte Comigo, que os prepara para o mercado de trabalho. O programa tem duas turmas de 15 pessoas cada. Alguns ainda estão completando o ensino fundamental ou médio, outros participam das oficinas e há até ex-alunos.Eles freqüentam a entidade três vezes por semana aprendendo a preencher uma ficha de emprego, a vestir-se de forma adequada e a apresentar-se para conseguir um trabalho. Em outro módulo, eles lêem jornais juntos e discutem temas do dia-a-dia, da política à sexualidade. Não adianta só estar preparado para o trabalho, é preciso ficar inteirado do que acontece, para que ele não se isole quando surge um destes assuntos.

          O Conte Comigo é conseqüência de um projeto chamado PET (Programa de Educação para o Trabalho), que existiu entre 1999 e 2002 e atendia grupos de jovens que já trabalhavam nas oficinas profissionalizantes para encaminhá-los para o mercado de trabalho. Sentíamos a necessidade de dar um ar mais profissional para o programa. A oportunidade surgiu em 2002, quando conseguimos recursos do programa Capacitação Solidária e puderam formalizar o programa na sua estrutura atual. Originalmente, a preparação era toda voltada para trabalhos em escritórios. Hoje, com a necessidade, o projeto está preparado para orientar jovens que precisem trabalhar em outros ambientes, como cozinhas industriais ou comércio.

 

Convênios com Empresas

          Mas o programa não fica só na conversa. Por meio de um convênio com o CIEE (Centro de Integração Escola-Empresa), os alunos do Conte Comigo são encaminhados para estágios em diversas empresas da região. Além disso, a própria psicóloga entra em contato com as companhias e, quando aparece alguma oportunidade, faz a ponte com o CIEE. Entre as empresas parceiras, estão Cetesb, Philips, Rassini, Pueri Domus Escolas Associadas, C&A, Wheaton do Brasil, NHK e H.l. Eletro Metal. Os jovens deram-se tão bem em algumas empresas como estagiários remunerados que acabaram sendo contratados. Também há convênios com entidades assistenciais para vivência educacional sem vínculo empregatício. Estão neste caso a Feasa, o Lar de Maria, o Lar Benvindo, a Creche São Jerônimo e o Recanto Somasquinho.

 

Com muito orgulho

          Para os atendidos, não poderia haver nada melhor para a auto-estima. Eles sentem-se valorizados, tornam-se mais independentes e sociáveis e dão uma volta por cima do preconceito, já que acabaram com o estigma da incapacidade. Eles tornam-se capacitados para exercer sua cidadania com mais desenvoltura. O reconhecimento vem até da própria família, a partir do momento em que podem usar seu próprio dinheiro para comprar suas roupas, pagar suas contas e até ajudar nas despesas de casa.

          Entre os colegas de trabalhos, a mudança é mais visível. No início, eles acabam recebendo um tratamento especial. Atenção, cuidados e presentes cercam o "diferente", mas com o tempo eles passam a ser vistos como qualquer outro, em direitos e deveres, e respeitados como profissionais competentes.

          Alguns, que não conseguiram sequer alfabetizar-se e sentiam-se inferiorizados por causa disso, agora exibem orgulhosos suas habilidades artísticas. Eles destacam-se de maneira especial nas oficinas.

          A nova preocupação da APAE é com os mais velhos, que estão na terceira idade, para isso, criamos o Centro de Convivência com o programa Novos Tempos para que alunos passem mais tempo na entidade sem que sejam desligados. As famílias também são orientadas a encaminhá-los para outras atividades, como a Educação de Jovens e Adultos (EJA), natação, clubes etc.

 


 
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